Fernanda Oliveira

Fernanda Oliveira
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domingo, 4 de setembro de 2016

E-le-i-ss-õ-es

        Finalizando mais um plantão e realizando os procedimentos para a troca com os colegas, vi chegar a moça que realiza a limpeza do nosso ambiente de trabalho.  Me cumprimentou com um bom dia esmaecido - afinal era Segunda feira - e sobrepondo-se ao som no do forró que ouvia em seu celular (nada quisto pra mim quanto ao volume,  textura,  tom e afins), me obrigou a ouvir mais essa:
- Muié... e "essas eleição tão" ruim, né? A gente "num" vê movimento "nas rua", nem nada...
- Eu acho ótimo!  Ainda não vemos muita sujeira nas ruas... - respondi, já querendo ir embora - ... e a gente sofre menos com a poluição visual, horário eleitoral... enfim!  Parece que até começou mais tarde dessa vez, né?
- Pois é... tá ruim demais essa política!  A gente nem ganha mais nada!  Nem gasolina pra colocar na moto. ..nammm...tá ruim demais!  Antigamente eles "dava" gasolina e até agora nada!
          Apesar de saber que essa situação existe, confesso que fiquei sem saber como agir, pois fui tomada por uma surpresa diante desse relato. Apenas bati em retirada, não antes de desejá-la uma ótima semana.
          Talvez tenha me acovardado por não reprimí-la e tentar "abrir" sua mente, mas no fundo achei inútil. Como abrir um debate sobre um assunto tão recorrente  com uma pessoa que se mostra tão limitada? E ela é só uma representante da fração ínfima diante da multidão de eleitores que se prestam a vender seus trinta segundos a peso daquilo que evapora, do tijolo, do cimento e da  famosa cesta básica que, por sinal, dura até um mês na despensa, coisa que um mandato não vai recompensar o voto trocado por mais 48 iguais. É isso dá direito ao eleitor de ir cobrar de seu feliz candidato na câmara municipal, assembléia,  prefeitura,  palácio do governo.... outras cestas e é justamente nessa hora que o eleitor se vê obrigado a indicar um profissional para o pobre político, seja um psiquiatra,  neurologista... o pobre (político) sofreu uma grave crise de amnésia!
          Sou uma mera espectadora, vendo essa lama podre impregnar cada vez mais um número impreciso dos eleitores brasileiros que não pensam a longo prazo.            Mas agora nos deparamos com outra questão: após o pleito eleitoral, posse, execução e as possíveis (quase corriqueiras) aparições dos bastidores negativos desse processo, há quem aponte o dedo na fuça do eleitor e o acuse de coisas do tipo: "Bem feito! A culpa é sua de votar errado"!
          Digam-me, acusadores: Como faço para votar no candidato certo? Minha bola de cristal não veio com capacidade de previsão divina.
          Tenho certeza que muitos realmente entram ali com o desejo latente de fazer a diferença. Mas existe uma pedra no meio do caminho e muitos não dispõem de desejo de pulá-la. E ela pode ter vários nomes: poder,  dinheiro, fama,  prepotência e afins. 
            Uma dica de uma leiga: não comece compactuando com aquele que lhe oferece R$50, R$100, um tanque de combustível,  um milheiro de tijolos, sacos de cimento ou qualquer coisa do tipo em troca de um único voto. Um único voto tem um valor que você não calcula.  Pra você, eleitor, o único esforço que você faz em troca disso é se deslocar de onde estiver, num domingo de outubro, para enfrentar uma fila e finalmente estar frente a uma urna eletrônica por uns trinta segundos e se retirar, até que precise retornar dois anos depois.
O trajeto desse domingo é pouco e totalmente confortável,  se for comparar com o que você recebeu como forma de compra do seu voto. .... E na segunda feira a gasolina da moto acaba, o tijolo ainda vai estar empilhado, esperando você poder comprar o cimento (já que o pacote não veio completo), ou o cimento vai ficar esperando o tijolo até que você possa comprá-lo (cimento vence em 90 dias) e sua cesta básica já vai ter sido totalmente consumida.

PENSEM!

          E quero dar-lhe meus sinceros Parabéns!  Você  acabou de ler mais um texto solto na web sobre a corrupção do Brasil, especialmente sobre eleições.  Não precisa especificar se municipais, estaduais/ federais.  O procedimento é o mesmo.

          Como disse o Faustão "a roubalheira existe desde Cabral".

E a culpa é do Cabral.

(e para que este texto tenha autora, lhe apresento eu mesma: Fernanda Oliveira - Palmas, Tocantins.  04 de setembro de 2016).

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